Quando se fala em garimpo no Brasil, a primeira reação da maioria das pessoas é negativa. A palavra carrega um peso pesado no imaginário coletivo, associada à destruição ambiental, à ilegalidade e a práticas predatórias. Mas essa visão precisa ser revista. Garimpeiro é, antes de tudo, uma profissão digna, geradora de riqueza e prosperidade, capaz de contribuir para o desenvolvimento econômico do país. O problema é que, no Brasil, o pequeno garimpeiro segue marginalizado, enquanto o governo concentra esforços apenas na regulamentação das grandes mineradoras.
A contradição fica ainda mais evidente quando se observa o que acontece na vizinha Guiana, antiga Guiana Inglesa. Lá, a profissão de garimpeiro é totalmente regulamentada. Existem exigências ambientais a serem cumpridas, há fiscalização, há controle, e o resultado é uma atividade produtiva legalizada que movimenta a economia local. O mais surpreendente é que boa parte desses garimpeiros legalizados são brasileiros, que cruzaram a fronteira justamente porque aqui não encontram caminho legal para exercer a atividade.
A prova disso está nas ruas de Georgetown, capital da Guiana, um país de língua inglesa. Quem caminha pelo centro da cidade encontra com facilidade placas em português anunciando “compramos ouro”, uma comunicação direcionada aos garimpeiros brasileiros. Esses trabalhadores vendem seu ouro lá, pagam impostos lá, e movimentam a economia lá. Tudo isso, riqueza que poderia estar sendo gerada dentro do Brasil.
Do outro lado da fronteira, em Roraima, o cenário é o oposto. A sede da Polícia Federal está repleta de aviões e veículos apreendidos. O brasileiro que não consegue produzir ouro legalmente em seu próprio país atravessa a divisa, se cadastra na Guiana e se torna um empreendedor formal. É um retrato cruel da diferença entre as duas nações: enquanto a Guiana organiza, regulamenta e estimula, o Brasil prende e proíbe.
O Brasil é um dos países mais ricos do mundo em recursos minerais, mas pouco faz para transformar essa riqueza em prosperidade real para a população. Ouro embaixo da terra que não vira emprego, renda e desenvolvimento não passa de potencial desperdiçado. A história do garimpo brasileiro é mais um capítulo das oportunidades que o país insiste em deixar escapar.
Descubra mais sobre Fé & Trabalho
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


