O Brasil tem hoje uma das mais altas cargas tributárias sobre alimentos, mas existe outra dificuldade silenciosa enfrentada pelo agronegócio brasileiro, e ela está acontecendo bem longe do campo: dentro das salas de aula. Para enfrentar esse problema, foi criada uma entidade chamada De Olho no Material Escolar, fundada e presidida por mulheres ligadas ao agronegócio, em sua maioria mães preocupadas com o que estava sendo ensinado aos seus filhos sobre o setor que sustenta a produção de alimentos no país
A iniciativa partiu de uma decisão simples e necessária: analisar todo o material didático homologado pelo Ministério da Educação, com foco no ensino médio e fundamental, para entender como o agronegócio é abordado nesses conteúdos. Uma empresa privada especializada foi contratada para fazer o estudo, e o resultado é estarrecedor. Hoje, 60% das citações sobre o agronegócio nos livros didáticos brasileiros são negativas.
Mais alarmante ainda foi a segunda etapa da pesquisa. Dessas citações negativas, apenas 3,5% tinham algum embasamento técnico, ou seja, alguma comprovação científica vinda de universidades ou pesquisadores. A esmagadora maioria não passava de opinião pessoal dos autores dos livros, sem qualquer respaldo técnico ou científico.
O recado é direto e preocupante. A maior batalha que o agronegócio brasileiro enfrenta hoje não está no campo, nem nas exportações, nem na carga tributária. Ela está dentro das salas de aula. E, infelizmente, estamos perdendo essa batalha. Crianças e adolescentes estão sendo ensinados, sem base científica, a enxergar como inimigo justamente o setor responsável por colocar comida na mesa de cada brasileiro.
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