Em 2026, ano de Copa do Mundo, o futebol volta ao centro das atenções globais, e uma curiosidade vinda de um país pouco conhecido pelos brasileiros revela uma lição importante sobre como valorizar o agronegócio. O Uzbequistão, nação da Ásia Central, é um dos maiores concorrentes do Brasil no mercado internacional de algodão. Mas o ponto mais interessante não está na competição econômica, e sim na forma como os uzbeques homenageiam quem produz.
Lá, o maior e mais tradicional clube de futebol se chama Paratacor, palavra que na língua nativa significa “colhedores de algodão”. Os jogadores carregam orgulhosamente no peito da camisa e no calção o símbolo da pluma de algodão, prestando um tributo direto aos produtores rurais do país. Um clube inteiro construído como reconhecimento à agricultura.
E aqui surge uma reflexão importante. O Brasil é o maior exportador de algodão do mundo, é o país do futebol, detém mais títulos mundiais que qualquer outra nação, e mesmo assim nenhum time ou jogador brasileiro jamais prestou homenagem ao algodão que veste suas camisas, calções e meias. Existe uma lacuna evidente entre quem produz e quem consome no Brasil, e o agronegócio precisa aprender a contar melhor a sua própria história para conquistar o coração de quem vive nos grandes centros urbanos.
Para completar o quadro, vale o dado econômico. Ao comprar uma roupa no Brasil, o consumidor paga 31,5% em impostos. Já nos Estados Unidos, dependendo do estado, esse percentual varia entre 1% e 5%. Em alguns casos, o brasileiro chega a pagar trinta vezes mais imposto na roupa do dia a dia. Diminuir essa carga e valorizar quem produz são caminhos urgentes para o país. O Paratacor uzbeque mostra que reconhecer o produtor rural é, antes de tudo, uma escolha cultural.
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