Poucos sabem que a capital da Coreia do Norte já foi, um dia, um dos maiores centros de cristianismo da Ásia.
No início do século 20, Pyongyang ficou conhecida como a “Jerusalém do Oriente”. Tudo começou com o Grande Avivamento de 1907 — um movimento espiritual que nasceu de um encontro de estudo bíblico entre missionários ocidentais e cristãos coreanos, e se espalhou pela cidade e por todo o país.
No auge, três em cada dez habitantes de Pyongyang praticavam o cristianismo. A cidade chegou a abrigar milhares de igrejas, além de hospitais, seminários e a primeira faculdade de quatro anos de toda a Coreia — todas de origem cristã.
Era, segundo historiadores, um dos maiores casos de sucesso do movimento missionário protestante em toda a Ásia.
É difícil conciliar essa história com a Pyongyang que conhecemos hoje.
É que veio o século 20 fazer o que sempre faz melhor: destruir com ideologia o que gerações construíram com fé. Depois da ocupação japonesa, veio a divisão da Coreia, e com o regime comunista no Norte, a perseguição religiosa se tornou sistemática.
Igrejas fechadas. Fé proibida.
Hoje, a Coreia do Norte é apontada como um dos lugares de maior perseguição a cristãos do planeta — um apagamento quase completo do que um dia foi chamado de Jerusalém do Oriente.
Estive em Pyongyang, e é impossível caminhar por aquela cidade sem sentir o peso desse contraste: o silêncio onde um dia houve fé pública, o controle onde um dia houve liberdade de culto.
Fica a lição, válida em qualquer latitude: fé e liberdade andam juntas.
Quando o Estado decide substituir Deus por ideologia, o resultado nunca é neutro — é ausência. E onde falta liberdade, falta também prosperidade, iniciativa e esperança.
Da fé que resiste, à fé que constrói. Que a gente nunca esqueça o valor do que tem.
Governos podem destruir templos, proibir reuniões e perseguir fiéis.
O que não conseguem é apagar completamente a memória de um povo.

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