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Qual será a realidade energética do futuro?

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Estou saindo de Mashhad, no Irã, para o Turcomenistão.
É uma viagem de carro que permite conhecer melhor a Ásia Central.
A Ásia é um continente fascinante. Continua sendo o mercado consumidor mais dinâmico, hospedando as economias que mais crescem no mundo.
Depois dos Estados Unidos, as três maiores economias hoje são asiáticas: China, Índia e Japão.

Se eu pudesse fazer um resumo deste continente, eu diria que a Ásia abraça o carvão.
Não é surpresa que essas nações tenham recuado nas grandes promessas feitas nas conferências internacionais sobre o clima para reduzir as emissões de dióxido de carbono provenientes dos combustíveis fósseis.
Veja o caso do Vietnã.
A taxa de crescimento projetada do Vietnã para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 é de 5,8%, a sexta maior da Ásia.
Em 2023, o carvão produziu mais de 40% de toda a eletricidade do país, e isso vai aumentar este ano.

Em toda a Ásia, um fenômeno semelhante está ocorrendo.
O ressurgimento regional do carvão pode ser atribuído ao rápido crescimento econômico desses países.
A China, o maior consumidor mundial de carvão, testemunhou um aumento no consumo em 2024.
Em 2023, o país foi responsável por 95% da construção das novas usinas a carvão do mundo. Há um total de 1.142 usinas movidas a carvão em operação na China, o que é cinco vezes mais do que nos EUA.

A Índia, outro grande interveniente no mercado energético asiático, também registrou um aumento nas importações e produção de carvão.
A Indonésia tem 254 centrais elétricas a carvão em funcionamento e 40 novas centrais em construção.
O Japão também é um grande consumidor de carvão, sendo o principal importador de carvão australiano nos últimos anos.

Conclusão do que estou presenciando: os países asiáticos são grandes devoradores de energia.
Desde que os primeiros homens acenderam as primeiras fogueiras nas cavernas, a libertação de energia para a luz, o calor, a cozinha e todas as necessidades humanas tem sido a essência e o símbolo do que é ser humano.
Os gregos viram Prometeu vencer as trevas com o dom do fogo aos homens.
Os romanos mantinham uma chama eterna acesa no Templo de Vesta.
Nossos pensamentos e insights mais profundos são descritos como faíscas de fogo em nossas mentes.
Um símbolo da morte é uma chama apagada.
O espetáculo do horizonte de uma cidade à noite é a beleza de milhões de indivíduos em sua forma mais humana.

Resumindo, não há países ricos ou com rápido crescimento com baixo consumo de energia.

Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Médico veterinário, empresário do agronegócio e ex-Ministro da Agricultura do Brasil (1990–1992). Presidente do Grupo Cabrera, negócio familiar com mais de 100 anos de história, presente em dez estados brasileiros. Membro da Academia Brasileira de Agricultura e ex-Secretário da Agricultura de São Paulo. Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil, cofundador da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC²) e diretor da Sociedade Bíblica do Brasil. Defensor da liberdade econômica e comunicador digital através do canal Fé & Trabalho.

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